Tomorrow never knows...

Tomorrow never knows...
It is not dying, it is not dying.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Alguém me devolve os velhos tempos?

Eu quero acordar para ir para a escolinha com a minha lancheira cor de rosa. Lá dentro teria pão com presunto e queijo e um suquinho ou uma maçã. Quero tomar quantas mamadeiras com leite e toddy quiser e chupar chupeta o dia todo (cheirando a fraldinha).


Quero as tardes na casa da vó Elza com todas as primas reunidas brincando de rouba bandeira. Quero as minhas primas preferidas em volta de mim, rindo.

Quero meu pai vivo, me levando na praça para alimentar as pombas e me fazendo feliz fingindo que era eu quem dirigia o Fusca.


Quero a minha vó Nanete viva, me levando na Pernambucanas e me pagando R$5,00 pra fazer massagem nos pés dela, me levando pra aula de Yoga e me ensinando sobre espiritualidade.
Quero a irresponsabilidade. Quero voltar a assistir Pica-Pau, Frajola e Piu-Piu e Tom e Jerry o dia inteiro. Quero meus shampoos, condicionadores e sabonetes do Snoopy de volta! Alguém viu o coelhão de pelúcia que eu ganhei em um Natal há anos atrás?

Alguém me devolve o colo da minha mãe quando eu tô triste? A comida dela quando eu tenho preguiça e as tardes de sábado vendo filmes?
Quero meus piolhos da 3ª série de volta e a minha mãe fazendo faxina na minha cabeça. Quero meus cachorros e meu hamster que morreram de volta!
Quero não ter que pagar conta, ser "alguém" na vida e me preocupar com futilidades. Quero voltar a não me preocupar com sobrancelha, cabelo e andar ranhenta, descalça e descabelada pela casa. Quero tomar banho de mangueira no quintal só de calcinha e andar por aí como se não houvesse amanhã.

Quero minha infância de volta, minha inocência e quero poder reviver os dias no "Gato Xadrez" (minha escola no pré), onde até aulas de culinária eu tinha.
Quero o mesmo irmão que eu tive quando tinha 3 anos e ele 10. Foi quando brincávamos de Jornal Nacional, telefone e ele me deixava com medo dos Gremilins. Agora ele não se importa nem consigo mesmo mais.
Quero não ter que votar, não ter que discutir sobre política, não ter que me explicar pra quem eu não quero.

Quero ter a liberdade de uma criança com os pés na terra, descobrindo novas sensações. Quero abraçar a minha mãe todos os dias e dizer que "eu te amo mamãe".


Quero ouvir meu vô Olegário tocando sanfona, meu pai cantando Gian e Giovanni e minha vó Elza fazendo mingau de milho verde e doce de leite pra mim.
Quero insistir mais pro meu vô Clóvis me dar o buggie roxo e brincar de novo comigo de serra-serra-serrador. Quero a minha vó Nanete me levando pra passear. Queria ter tido mesmo uma irmã mais nova, mas nossa convivência não existiu depois que meu pai morreu e agora moramos longe uma da outra.

Tantas coisas que ficaram para trás e nunca mais irão voltar...tantos momentos bons que eu gostaria de reprisar.
Eu só queria deixar o mundo adulto de vez em quando, ter uma máquina do tempo e voltar para os momentos mais lindos da minha vida.

Eu tenho que agradecer por ter vivido isso tudo. Pois me tornou o que eu sou hoje. Meio destrambelhada e distraída, mas feliz. Só queria passar mais um tempo com a minha nostalgia e depois voltar para minha vida real. Afinal de contas, a nossa criança interior NUNCA morre. Se ela morrer é porque nós morremos também.

Um comentário:

  1. gostei muito Ju
    você é uma das meninas adulta, moleca mais especial que conheci...
    tambem queria voltar aos tempos,
    mas como não podemos temos que presevar a criança que existe dentro do nosso interior...xD

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