Tomorrow never knows...

Tomorrow never knows...
It is not dying, it is not dying.

domingo, 9 de maio de 2010

Outra.

Eu vim aqui com pedras nas mãos. Ia atirar para qualquer lugar, sem me importar aonde iria acertar. Mas abaixei minhas mãos e as pedras foram jogadas ao chão, sem danificar nada e ninguém.

Eu poderia ter quebrado suas vidraças e te acertado na cabeça. Mas não o fiz. Me desarmei para jogar limpo, sem trapaças.
Esse seu olhar inocente, triste e vago não me convence. Você não é assim. O coração gelado, o pulmão lotado e o cérebro desvairado lhe deixam estranha.

Movimenta-se para a esquerda, como quem quer esconder algum detalhe. Você não pode. Te conheço e sei como é por inteiro. Sei dos seus melhores e piores pensamentos. Conheço seus planos de fuga e sei de todas as aventuras que já viveu.

Você aí, tão viva e tão morta. Tão igual e tão diferente. Até parece outra.
Anda com suas costas não tão eretas como gostaria, fala puxando uns "erres" de vez em quando, é grossa e grita com as pessoas sem perceber. É, você não faz sentido.

Quer e não quer com a mesma intensidade e mutabilidade. Vive em constante transição e parece nunca estar em paz. Parece que eu não sei quem é quando fica assim. Justo eu, que te conheço melhor que ninguém!

Na verdade o que vejo, é o reflexo do espelho. Os movimentos são contrários, mas tudo parece igual. Os espelhos sugam a realidade e você nem vê, parece outra. Não parece você e nem eu. Mas na realidade somos iguais. Somos a mesma pessoa.

Eu sou o coração gelado e o coração em chamas. Sou o pulmão lotado e vazio. Nunca deixo de ser o cérebro desvairado, mesmo que às vezes pense com racionalidade estranhamente racional!

Eu sou o reflexo do espelho, a outra.

Um comentário:

  1. oi Juu! puts, amei teu blog! lindo lindo, vc escreve mto bem ^^ Beeijos, flor. Jaque.

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