Tomorrow never knows...

Tomorrow never knows...
It is not dying, it is not dying.

terça-feira, 27 de março de 2012

...

Com seu vestido comprido ela girava, dançava, vivia. Os cabelos soltos, os pés descalços e o pulsar do coração conduzindo seus passos. Com os olhos fechados, sentia o vento que balançava as folhas das árvores, sentia a poeira levantar sob seus pés na terra batida e vermelha. Já nem abria mais os olhos. Apenas sentia e enxergava tudo com outra visão. A da alma. A fogueira se animava e crescia.
Aquela mulher, dançava para mandar embora o que a fazia mal e pedia aos céus que preenchessem o vazio que ela sentia, mas não sabia por que. Ela percebera que seus olhos já não brilhavam, que a vontade de continuar se instalava e ia embora rápido. Ela dançava num ritual, sozinha, pedindo para que as forças retornassem dentro de si.

Sentou-se um pouco para respirar e tentar perceber o que faltava. De fato, ao seu redor não lhe faltava nada. Tinha o ar, a terra, o fogo e a água presentes a todo tempo, lhe fazendo companhia. Ela queria entender as injustiças que cometera. Queria entender o por que de toda confusão que começara a habitar seu interior assim de repente. Sentia-se só. Seria o passado que ainda a atormentava? Ela sabia que tinha que tirar boas lições do que já havia acontecido e que o certo era deixar guardado na memória aquilo que foi bom. Sabia de tudo aquilo. Sabia também todos os conselhos que iam lhe dar a respeito. Preferiu ficar reclusa. Calada. Observando o que acontecia no coração e na mente, inquietos.

Talvez fosse a hora de dançar mais um pouco, então, levantou-se e continuou sua dança de vento, de ar, de pensamento. E pensava, pensava, pensava. Parou. Parou de pensar. Parou de falar. Parou para respirar. Respirava. Suspirava. Sonhava com a solução, daquilo que não tinha nome. Desânimo, nostalgia, tristeza.
Quando deu-se por conta, estava chovendo. Uma chuva pesada. Densa. Daquelas com gosto. Sorriu. Agradeceu. E deixou de pensar nos problemas, entregando-se à lavagem de sua alma.



E na espera de uma solução que virá, o que pode ser feito enquanto espera é silenciar e agradecer.

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